quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ela queria tudo...

Ela queria tudo, menos uma única coisa: afogar-se. Pois o que ela queria menos, foi exactamente o que ocorreu. Ela afogou-se em seus próprios delírios, na sua próprio sofrimento. Ela não queria isso pois tinha consciência que exigiria muito dela. Ela não sabia controlar as suas emoções, os seus sentimentos. Ingénua, sim. Suas lágrimas invadiam sua banheira cheia de sangue. Em seu corpo, só restavam cortes profundos, cravados na sua pele clara. Seus pensamentos faziam ela desejar o fim; ela queria o fim, ela queria acabar duma vez por todas com aquela dor que se tinha tornado insuportável. Mas ela ambicionava um fim diferente, não desejava para si aqueles fins que terminam com ela estendida num caixão e todos a sua volta a chorar e a lamentar. Ela só queria por fim a toda a angústia e magoa que sentia em seu peito. Ela cansou-se dessa vidinha medíocre que ela teimava em levar. […] Levantou-se da banheira e olhou-se ao espelho. Tocou ao de leve nos cortes e jurou para si mesmo não fazer mais todo aquele mal a ela própria, que a deixavam sem forças, fraca. Ela estava decidida. Não a deixar aquilo por ele ou por qualquer outra pessoa, mas sim por ela. Um bocado egoísta da sua parte mas não interessava, era o seu bem-estar em causa. Já tinha aguentado muito calada, sofrendo por algo que a assombrava todas as noites, algo que deixava marcas em seu corpo, algo que aniquilava toda a sua força. Já estava farta de todas as marcas, de todo o sofrimento, de toda a dor. Ela queria seguir sua vida, sem pensar no passado. A esperança tinha sido novamente restaurada nela. Não era tarde demais, como ela tinha pensado ser. Ou pelo menos esperava que não fosse. O que ela mais queria agora era ser feliz.

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